| Vendas de veículos zero caem com a retomada do IPI | | | Mesmo assim, outubro de 2009 ainda é o melhor da história |
Texto: Karina Craveiro/AutoPress Fotos: Afonso Carlos/Carta Z Notícias (10-11-09) – Nem a agressividade das montadoras nem a promessa de não repassar o 1,5% do IPI nos automóveis amenizaram a queda nas vendas no mês de outubro em relação a setembro. Afinal foi o mês que marcou a volta parcial do Imposto sobre Produtos Industrializados. O setor automotivo registrou 281.306 unidades comercializadas no período, uma retração de 5,17% nos emplacamentos ante às 296.656 unidades de setembro. Mesmo assim foi o melhor outubro da história da indústria automobilística brasileira. A baixa, já esperada, é encarada como um ajuste natural do mercado. "A redução do IPI servia como uma espécie de propaganda para que o consumidor fosse às compras. Agora esse consumidor terá de se acostumar com a realidade do mercado. O problema é que ele resistirá até que o imposto se normalize por inteiro", opina Júlio Gomes de Almeida, professor de Economia da Unicamp.
Enquanto uns comemoram, outros lamentam. A Kia, por exemplo, registrou novo recorde de vendas, com 3.101 carros emplacados, fazendo com que a participação no mercado chegasse a 1,10%.
Por conta do resultado, a montadora sul-coreana chegou a 11,9% de crescimento ante setembro. O Kia Picanto saiu de 293 unidades em setembro para marcar 628 em outubro, por exemplo. "Resolvemos não repassar o IPI para alguns modelos, como o Sportage e o Picanto, e ainda reduzimos o preço da tabela. O lançamento do Soul e do novo Cerato também fortaleceu o volume no varejo", comenta Ary Jorge Ribeiro, diretor de vendas da Kia. Já a Fiat, mesmo com um aumento de 6,3% no acumulado de vendas de janeiro a outubro, registrou queda de 2,8% no último mês. "Já prevíamos essa acomodação das vendas e, apesar dessa baixa, a queda é menor que a média geral do mercado", pondera Lélio Ramos, diretor comercial da Fiat.
"O impacto veio para a grande maioria e a comercialização de automóveis foi impactada por conta do IPI. Tivemos um mês difícil", lamenta Alberto Pescumo, gerente geral comercial da Honda, sem divulgar os números da montadora.
No resumo das vendas, outubro só não foi pior por conta dos reflexos de setembro. Muitas montadoras fizeram promoções até o último final de semana do mês. O resultado disso é que os automóveis vendidos de última hora não puderam ser entregues. E reforçaram os emplacamentos na primeira quinzena de outubro. Nesse período foram comercializadas 155.670 unidades, contra 130.092 da 1° quinzena de setembro. "Outubro foi um mês de transição. As montadoras já tinham nas revendas os veículos faturados, mas que acabaram sendo emplacados em outubro", argumenta o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive.
Como outubro marca um ano completo dos reflexos da crise mundial no Brasil, houve uma alta expressiva de 25,17%, quando comparado com o mesmo mês do ano passado. Há 12 meses, o total de veículos emplacados chegou a 224.744 unidades. A margem tão positiva, no entanto, não é vista com grande entusiasmo pelo setor. "O mesmo período de 2008 foi uma catástrofe para todo mundo. E, por conta de ser tão ruim, esperávamos qualquer reação positiva para este ano", afirma Francisco Stefanelli, diretor nacional de vendas da Chevrolet.
Só que a queda nas vendas em outubro afetou até mesmo o setor de veículos de entrada da maioria das montadoras. Ou seja, os chamados "carros populares". O Volkswagen Gol, líder de vendas, recuou de 30.822 de setembro para 27.781 em outubro. O Fiat Palio saiu das 19.195 unidades vendidas em setembro e marcou média de 18.190 unidades no último mês. O Fiat Mille, que ocupa o terceiro lugar no ranking de vendas, registrou 14.550 unidades emplacadas em outubro contra 15.290 de setembro. Em quarto lugar ficou o Chevrolet Celta, com 13.223 emplacamentos contra 15.218 em setembro. O único que teve aumento no ranking foi o básico Peugeot 206, que saiu das 586 unidades em setembro para 1.004 em outubro.
Apesar do resultado do mês de outubro, as montadoras ainda estão otimistas em relação aos últimos meses do ano. Mesmo com a elevação de 3% do IPI em novembro e de 5% em dezembro. E o crédito mais alargado pode ser mais um incentivo para que os consumidores procurem as revendas.
"Até o final do ano temos um aquecimento de vendas. A expectativa é que o consumidor se sentirá compensado pela facilidade do crédito, com prestações menores. As festas de final de ano e o 13° salário são incentivadores", opina Júlio Gomes de Almeida, professor de Economia da Unicamp. "Além do lado psicológico, de aproveitar o IPI antes que volte ao normal totalmente, tem a questão do crédito, fazendo com que as expectativas sejam boas. Queremos atingir 20% da participação do mercado até lá", completa Francisco Stefanelli, diretor nacional de vendas da Chevrolet.
Instantâneas
- Com o fechamento de outubro, a Fiat detém maior participação no mercado, com 23,52%, seguida pela Volkswagen, com 23,36% e pela Chevrolet, com 19,03%. - Com as vendas do último mês, o acumulado do ano foi de 2.783.466 unidades comercializadas contra 2.321.140 do mesmo período do ano passado. - Em outubro, o crossover XC60, da Volvo, alcançou 206 unidades vendidas, montante que representa 83% do volume total dos 246 veículos distribuídos pela montadora sueca no mês. De janeiro a outubro, o modelo acumula 1.262 unidades comercializadas. - A Kia registrou em outubro 3.101 unidades comercializadas. A marca superou os meses anteriores. Em setembro a montadora emplacou 2.771 veículos e em agosto 2.239 unidades. - Nos Estados Unidos, a Ford registrou aumento de 3,1% nas vendas em outubro. No Brasil, a marca comercializou 30.025 unidades contra 29.078 unidades em setembro.
Para sair da lama
Enquanto o mercado de automóveis e comerciais leves caminhou para uma ligeira queda, o setor de caminhões deu sinais de recuperação em outubro. Na comparação com setembro, o segmento registrou 11.237 unidades comercializadas contra 10.083 unidades. A alta foi de 11,8%. Já no acumulado do ano, o setor registra 85.543 unidades vendidas. A Mercedes-Benz lidera com 30,64% de participação no mercado em outubro, seguida pela Volkswagen, com 29,43%, e Ford, com 17,58%. "Os fabricantes já sabem que vão ter de investir no último trimestre de 2009. E, com a retomada da exportação, a movimentação de carga é maior, o que reflete em vendas", acrescenta o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive.
Mas o mês de outubro causou retração no mercado de motos. Na comparação com setembro, o total de unidades emplacadas foi de 132.928 ante 139.682 em setembro. A redução foi de 4,84% no setor. O mercado continua a ser liderado em outubro pela Honda, com 74,61% de participação, seguido pela Yamaha, com 11,99% e pela Suzuki, com 5,05%.
Veja o ranking dos 200 mais vendidos de outubro em 2009 |
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